07/09/2011

EU DEIXARIA DE ORAR POR MINHA FAMÍLIA

Do livro "SE EU COMEÇASSE A MINHA FAMÍLIA DENOVO"
Escrito por JOHN M. DRESCHER
  
 Sou eu insensível, talvez até mesmo ímpio, dizendo que cessaria de orar por minha família? Pois é isto o que eu quero dizer.
    Quando parei de orar por minha esposa e filhos, coisas surpreendentes aconteceram. Comecei a vê-los sob uma nova luz. Eles se tornaram pessoas reais. E achei mais fácil amá-los, apesar de seus defeitos. Os erros tiveram um papel menor em nossas relações. Em resumo, minhas próprias atitudes mudaram.
    Frequentemente, no passado, eu orava desta maneira, "Senhor, ajuda meu filho a ser um bom menino. Muda suas atitudes, Senhor. Ajuda-o a receber uma porção maior do amor divino. Que ele possa ser mais agradável em todas as nossas relações de família. Ajuda-o a ser obediente."
    Orava por minha filha para que ela pudesse conhecer o amor de Cristo e também para que ela discernisse, à medida que se tornava amadurecida, o verdadeiro amor que há em toda a relação.
    E por minha esposa orava para que Deus pudesse dar a ela forças em todos os afazeres em nosso lar. Orava para que ela pudesse ter muita paciência com as crianças e que pudesse fazer tudo o que deveria para manter nosso lar em ordem. Orava pra que ela, como mãe prestimosa pudesse receber porções extras de graça.
    Então, certa noite aconteceu. Eu estava sozinho quando, de repente, ocorreu-me que eu deveria parar com essa espécie de oração. Pareceu-me que minhas orações realmente não ajudavam. Pelo contrário, as crianças sabiam menos sobre o amor do que nos primeiros anos. Senti que estávamos praticando menos atenção e bondade. E então concluí que deveria parar de orar por eles. Eu não estava orando pela pessoa certa.
    Portanto, parei de orar daquela maneira por minha família. Comecei a compreender que, se meus filhos tivessem de conhecer o amor de Cristo, então eu, como seu pai, precisava experimentar mais do amor de Cristo e tornar esse amor visível. Se eles tinham algum dia de aprender o verdadeiro amor na relação com os outros, então eu precisava de auxílio divino para demonstrar amor real em todas as minhas relações - com minha família e com outrem. Por isso, minha oração passou a ser, "Senhor, faze-me apto a conviver, amoroso e bondoso, como Tu és para mim."
    Parei de fazer orações solícitas por minha esposa quando notei que minha tarefa não era fazê-la boa, mas fazê-la feliz. Minha oração não deveria ter sido para que Deus a ajudasse a ter todo o trabalho realizado. Deveria ter sido para que Ele me ajudasse a ver os lugares onde poderia ajudá-la e tornar as coisas mais fáceis para ela. Minhas orações agora são assim, "Senhor, faze de mim um marido real, ansioso e feliz." Percebi que era eu quem necessitava de porções extras de Deus.
    Daquela noite em diante, meu mundo mudou. Meu lar mudou. De repente, parecia que minha esposa e meus filhos tinham mudado. Uma nova atmosfera de amor impregnou a casa e até mesmo o carro, quando estávamos viajando. As crianças pareciam mais bondosas. E tudo isso teve início quando eu parei de orar por eles e comecei a orar para que Deus me desse uma nova atitude; quando pedi a Deus para em ajudar a reprimir tudo o que pudesse magoar aqueles que eu amava ou que pudesse inibir os relacionamentos; quando eu disse a Deus que desejava fazer tudo o que estivesse em minhas forças para o que fosse necessário visando tornar meus filhos e minha esposa felizes. Alguma coisa aconteceu quando quis que Deus me mudasse mais do que as outras pessoas.
    Não, não foi tudo perfeito. Cometo erros e lamento. Mas aprendi que minha família me ama, apesar de meus erros.
    É claro que ainda oro. Minha esposa e meus filhos estão nas minhas orações mais do que nunca. Mas agora minhas orações são basicamente orações de agradecimento por todos os membros da minha família. Creio que Deus prefere esta espécie de oração, porque ela também honra o Criador que me deu cada um deles.
    Sim, a vida tomou um novo sentido e felicidade quando parei de pedir a Deus que mudasse os outros e lhe pedi que, em vez disso, me mudasse.
    Sei agora que, quando aceito minha família como as pessoas que são, juntos descobrimos todos os tipos de possibilidades de crescimento e mudança. Mas uma vez que eu queria renová-los, ou pedir que Deus os renove, encontrarei somente resistência e pés empacados.
    Sei agora que, quando aceito a mim mesmo aos olhos de amor e perdão de Deus - e aos meus próprios olhos - é mais fácil para mim aceitar os outros com um coração cheio de amor, passando por cima de suas falhas, e sem a condenação cruel que só mata.
    Sei que somente quando eu, pai, experimento o amor de Deus sou capaz de compartilhar esse amor com minha família. Portanto, minhas preces, quando se trata de mudar as pessoas, se destinam a mim mesmo. Minha tarefa não é fazer os outros bons. Esta é a tarefa de Deus. Minha tarefa é fazer os outros felizes.